quarta-feira, 23 de abril de 2008

Aprendendo a calibrar o esforço

Na 2ª quinzena resolvi dar um "intensivo", uma "puxada braba" perto do final e literalmente limpei as gavetas de pendências. Pelo menos as mais urgentes. Na hora de fazer a medição, ao invés de 136 horas, deu 152, e fiquei credor da casa.

O bom é que terminaram os projetos e tarefas envolvendo tecnologia conhecida e começam as coisas envolvendo tecnologias que precisam ser mais treinadas, que é um dos objetivos de ficar isolado em casa trabalhando por projeto.

Preciso medir melhor o esforço diário para não chegar ao final do período e descobrir que perdi tempo de lazer com a família. Com o tempo de trabalho extra, teria tempo dado tempo, por exemplo, para dar um pulo em Rio Branco, fazer umas comprinhas. Por outro lado, ainda estou sem grana, não ia mesmo gastar muito por lá.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Duas Semanas corridas

O que é um plano de contingência para o teletrabalhador? Antes era o no-break. Quando na segunda-feira faltou uma fase durante 50 minutos, virou a extensão, estendida até o quarto lá em cima. Depois quando a cidade e a região ficaram completamente sem luz por mais de 30 minutos, até quase uma hora, por 3 vezes durante uma semana, foi o carro. Saí de casa munido de meus papéis e de meus programas de acesso remoto a procura de uma lan-house e acabei na Universidade Católica que dispõem de boa biblioteca e gerador. Felizmente trabalhar por metas permite trabalhar fora de hora. O trabalho segue normalmente.

A moça do 0800 da CEEE sugere que eu reúna os moradores e façamos um abaixo-assinado pedindo manutenção na rede. Hora, abaixo assina, respondi, é para pontes, ruas, asfalto, obras novas e se encaminha para políticos. Para o gerente da agência da CEEE a gente escreve dizendo que vai pedir que ele seja demitido, pois ele sabe bem demais onde costuma faltar luz e manutenção. Se não sabe ou sabe e não resolve, não serve para ser gerente. E quem instruiu essa moça a dar essa orientação poderia muito bem pegar o mesmo rumo.

As faltas de luz não parecem apenas falta de manutenção, pois elas são freqüentes demais e sempre no meio da tarde, em dias ensolarados e sem vento. Parecem-se com desligamentos programados e não informados. O jornal Diário Popular informa que as obras da WTorre em Rio Grande vão exigir 112 MW em transformadores novos em Pelotas a serem instalados em breve. Eles copidescam o material que a CEEE lhes envia. Mas as faltas freqüentes de energia não despertam a curiosidade de nenhum jornalista desse periódico. Menos um jornal para pensar em assinar.

Adoro meu trabalho, ter todo dia um desafio diferente, adoro todo dia aprender algo novo e trabalhar com tecnologia da informação. Por exemplo: antes do trabalho do DETRAN não havia surgido a necessidade e oportunidade de gerar um arquivo a partir de dentro do banco de dados. As circunstâncias do teletrabalho tornam todo esse esforço mais interessante e agradável.

Quanto ao piá, que parei de dar notícias, passou pela sua primeira semana de provas e vai pela primeira vez ao dentista. Marquei com uma dentista experiente, que tem consultório aqui perto.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Benchmark da Clubber

Baixei um programa de benchmark para avaliar o desempenho da Clubber. Nada que tenha pesquisado muito, simplesmente o programa do mesmo site que tenho indicado para meus colegas buscar referências sobre o desempenho das CPUs que buscamos para equipar a próxima geração de máquinas. Trata-se do site da cpubenchmark.

Há uma coisa fundamental sobre testes de benchmarks: pode-se discordar da qualidade ou da utilidade de determinado teste, porém todos são em certa medida válidos desde que sempre se utilize o mesmo em todas comparações. Quer dizer: mesmo que lá fora no mundão grande da internet existam dezenas de programa mais qualificados, em cada medida devemos usar números gerados pelo mesmo programa.

A Clubber marcou 766 no geral, quando o que esperava dela eram marcas ao redor de 1900. A CPU é legítima Intel QuadCore Q6600, a placa-mãe também Intel legítima, pode realmente ter algo de errado na configuração da BIOS, do S.O., ou na falta de drivers. É melhor que a Clash, mas não tão boa como esperava que fosse. Vou ter de ler mais sobre esse benchmark, talvez experimentar outros, e estudar mais configurações para QuadCores.

domingo, 6 de abril de 2008

Procastinação, minha velha conhecida

Virada de mês, salário no banco, é época de compras ! Uma cadeira decente, ergonômica e confortável como a do escritório e uma nova fonte para o micro, bem silenciosa. A Clubber agora está quase tão silenciosa como o Dell. Alguém quer comprar uma fonte de 500 Watts sem uso e um pouco barulhenta? Salim vende barato! Leva freguês!

Essas coisas, mais o cansaço da viagem Pelotas-Poa-Pelotas no mesmo dia responderam por dois dias de marcha lenta. Descobri que várias outras pessoas tem a mesma queixa, quando precisam ir a trabalho na capital. Um cansaço que prejudica fortemente um ou dois dias seguidos. Quem no futuro for teletrabalhar morando na mesma cidade não vai passar por esses cansaços. A próxima ida será para a R1 na terça que vem. Mas dessa vez vou cuidar muito a hora de dormir na véspera e a hora de dormir no retorno.

No sábado, entusiasmado com o sucesso da fonte silenciosa, encomendei uma prateleira para livros, quadrada, com rodinhas disfarçadas, fechada e com portas de correr para ocupar o espaço entre as duas mesas. As duas mesas, uma com o Dell e outra com a Cluber formam um "L" e tem um espaço ocioso entre elas.

A coisa do silencio do micro era realmente fundamental. Outra preocupação que ainda não vai embora tão cedo é o desempenho. O que se passa com a Clubber pode ser um indicativo das tendências que veremos nos próximos anos.

Esperava que um micro com placa-mãe boa, bastante memória e uma das mais modernas CPUs do mercado tivesse um desempenho muito melhor. Ela é melhor que a Clash, monoprocessada, é melhor que o Dell, um dual-core de 2 anos atrás, mas não é melhor o suficiente.

A máquina tem 4 núcleos, deveria ser 2 vezes melhor que o Dell, mas vejo o skype trancando, o mediaplayer trancando, e o "feeling" ao usá-la me diz que ela está aguentando, porém quase saturada. Com 29% de uso, ela se arrasta. Tem picos de 100% com os mesmos programas que usava no velho Atlhon, que antecedeu a Clubber.

Por hora os meus suspeitos, em ordem segundo minha capacidade de intervenção, são:

a) configurações da BIOS, mas já baixei o manual da Intel e não achei nada de óbvio. Atenção proprietários de placas Intel. A Intel se cansou de pagar escritores para escrever manuais de BIOS e fez um manual geral para se ler no site dela. Tem todas as configurações de todas as placas. Só um terço do carpatácio se referem à minha.

b) Configurações do SO. Já li comentários superficiais de que o Vista lida melhor com concorrência e multi-núcleos do que o XP. Pode estar aí o caminho. Adeus R$ 390,00 pela minha licença de XP Professional. Usei o Vista Business esse dias e gostei dos recursos visuais, pareceu bem macio em um Dual com 2 Gigas. Outra abordagem que tentei hoje: ajustar a afinidade de alguns programas (anti-vírus, skype e mediaplayer) ao núcleo 3.

c) O mais provável. Cada um dos vários programas que uso: CVS, Oracle Express, AVG anti-vírus, Messenger, Firefox, Thunderbird, Skype, JDeveloper, SQLDeveloper, Spybot e outros mais, cada um deles é enorme e foi escrito por programadores que não sabem usar threads e programação concorrente. O comportamento tradicional, de ignorar má programação comprando máquinas novas e mais poderosas pode estar chegando ao fim

Vai levar anos para se reescrevam os programas que usamos obedecendo princípios da programação concorrente. Talvez só se consiga isso com a próxima geração de profissionais e programas. Programação concorrente virou assunto quente e as pessoas se deram conta que o programador médio jamais vai ser bem sucedido utilizando semáforos, seções críticas e monitores. Na faculdade todos sabíamos que essa matéria seria importante no futuro, mas apressados em conseguir nossos diplomas, deixamos esse assunto para depois. O "depois" chegou.

Outra abordagem procastinadora é melhorar a eficiência do código monoprocessado que se produz hoje e dos programas que se escolhe usar. Os tempos do mainframe, em que se lia com atenção os livros do Knuth podem voltar. Além de ser razoável do ponto de vista da eficiência, os resultados aparecem na economia, na durabilidade do parque de máquinas e na eficiência do uso da energia.

O resultado, não importa a estratégia escolhida, é de que quem não investir na qualidade do peopleware vai jogar dinheiro fora e dar com os burros n'água. Aliás burros é mesmo adequado.

Como se sairia o Linux na Clubber ? Ano que vem terei coragem de fazer experiências com a máquina de trabalho, aí respondo para vocês.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Primeiro ciclo de planejamento terminado

A entrega do acompanhamento foi na quarta-feira, ontem. O dia coincidiu com o workshop da informática. Todos os setores têm um caminhão de projetos novos esse ano, a apresentação funciona como uma descarga elétrica motivadora. Os problemas anteriores só se acumulam, a infra-estrutura física datada, os sistemas legados precisando de manutenção, e nós assumindo responsabilidades para o futuro. Uma loucura !

Ao entregar o primeiro acompanhamento quinzenal, que ficou obviamente cheio de furos, já fiz o planejamento para o próxima quinzena. Combinamos, eu e meus chefes, em criar tarefas-tampão, que se pudesse desenvolver se as tarefas principais listadas no planejamento, por um motivo ou outro empacassem.

Na primeira quinzena, quando as tarefas empacaram, pude ocupar meu tempo com as últimas buriladas no ciclo de melhoria da pk_siapes. Mas agora a carga está tão boa que não justifica mais gastar tempo melhorando-a.

Enfim a rotina e o planejamento parecem que vão se encontrar.

O propósito desse blog

O propósito desse blog é aumentar a intensidade da comunicação com os colegas em uma situação nova no mundo do trabalho brasileiro que é a do teletrabalho. Em especial nos dois primeiros dias, quando a instalação de programas prejudicava a conversa pelo msn e depois quando a audiência aumentou para todo o setor.

O brasileiro é muito comunicativo, interage intensamente no ambiente de trabalho, essa interação é muito utilizada para resolver os problemas do dia-a-dia. No teletrabalho passa a prevalecer o planejamento racional à improvisação diária.

Dizem que 15% da força de trabalho americana teletrabalha, o que não é estranho em uma sociedade na qual a maior parte da riqueza é gerada pelo setor de serviços. Em geral são trabalhadores das áreas do conhecimento, na maioria informatas. Foi uma modalidade de certo destaque na literatura quando surgiu há 15 anos atrás, mas hoje não chama mais a atenção. Virou norma. No Brasil é que é uma certa novidade.

O teletrabalhador fica excluído da vida do escritório e perde participação no jogo das promoções, mas pode trabalhar mais intensamente com o que sabe realmente fazer, pode cuidar melhor de sua vida e gastar menos. Menos combustível, menos despesa fora de casa, menos tempo em deslocamento, menos caos no trânsito no centro da cidade. A economia acaba chegando à empresa, pois ela pode prescindir de espaço, móveis, computadores e energia dedicados a feitura desse trabalho.

Portanto vamos tentar mostrar nesse blog que existe uma maneira de conciliar brasilidade e planejamento. Se as postagens se espaçarem, é porque as novidades cessaram, e se está chegando à normalidade.