domingo, 6 de abril de 2008

Procastinação, minha velha conhecida

Virada de mês, salário no banco, é época de compras ! Uma cadeira decente, ergonômica e confortável como a do escritório e uma nova fonte para o micro, bem silenciosa. A Clubber agora está quase tão silenciosa como o Dell. Alguém quer comprar uma fonte de 500 Watts sem uso e um pouco barulhenta? Salim vende barato! Leva freguês!

Essas coisas, mais o cansaço da viagem Pelotas-Poa-Pelotas no mesmo dia responderam por dois dias de marcha lenta. Descobri que várias outras pessoas tem a mesma queixa, quando precisam ir a trabalho na capital. Um cansaço que prejudica fortemente um ou dois dias seguidos. Quem no futuro for teletrabalhar morando na mesma cidade não vai passar por esses cansaços. A próxima ida será para a R1 na terça que vem. Mas dessa vez vou cuidar muito a hora de dormir na véspera e a hora de dormir no retorno.

No sábado, entusiasmado com o sucesso da fonte silenciosa, encomendei uma prateleira para livros, quadrada, com rodinhas disfarçadas, fechada e com portas de correr para ocupar o espaço entre as duas mesas. As duas mesas, uma com o Dell e outra com a Cluber formam um "L" e tem um espaço ocioso entre elas.

A coisa do silencio do micro era realmente fundamental. Outra preocupação que ainda não vai embora tão cedo é o desempenho. O que se passa com a Clubber pode ser um indicativo das tendências que veremos nos próximos anos.

Esperava que um micro com placa-mãe boa, bastante memória e uma das mais modernas CPUs do mercado tivesse um desempenho muito melhor. Ela é melhor que a Clash, monoprocessada, é melhor que o Dell, um dual-core de 2 anos atrás, mas não é melhor o suficiente.

A máquina tem 4 núcleos, deveria ser 2 vezes melhor que o Dell, mas vejo o skype trancando, o mediaplayer trancando, e o "feeling" ao usá-la me diz que ela está aguentando, porém quase saturada. Com 29% de uso, ela se arrasta. Tem picos de 100% com os mesmos programas que usava no velho Atlhon, que antecedeu a Clubber.

Por hora os meus suspeitos, em ordem segundo minha capacidade de intervenção, são:

a) configurações da BIOS, mas já baixei o manual da Intel e não achei nada de óbvio. Atenção proprietários de placas Intel. A Intel se cansou de pagar escritores para escrever manuais de BIOS e fez um manual geral para se ler no site dela. Tem todas as configurações de todas as placas. Só um terço do carpatácio se referem à minha.

b) Configurações do SO. Já li comentários superficiais de que o Vista lida melhor com concorrência e multi-núcleos do que o XP. Pode estar aí o caminho. Adeus R$ 390,00 pela minha licença de XP Professional. Usei o Vista Business esse dias e gostei dos recursos visuais, pareceu bem macio em um Dual com 2 Gigas. Outra abordagem que tentei hoje: ajustar a afinidade de alguns programas (anti-vírus, skype e mediaplayer) ao núcleo 3.

c) O mais provável. Cada um dos vários programas que uso: CVS, Oracle Express, AVG anti-vírus, Messenger, Firefox, Thunderbird, Skype, JDeveloper, SQLDeveloper, Spybot e outros mais, cada um deles é enorme e foi escrito por programadores que não sabem usar threads e programação concorrente. O comportamento tradicional, de ignorar má programação comprando máquinas novas e mais poderosas pode estar chegando ao fim

Vai levar anos para se reescrevam os programas que usamos obedecendo princípios da programação concorrente. Talvez só se consiga isso com a próxima geração de profissionais e programas. Programação concorrente virou assunto quente e as pessoas se deram conta que o programador médio jamais vai ser bem sucedido utilizando semáforos, seções críticas e monitores. Na faculdade todos sabíamos que essa matéria seria importante no futuro, mas apressados em conseguir nossos diplomas, deixamos esse assunto para depois. O "depois" chegou.

Outra abordagem procastinadora é melhorar a eficiência do código monoprocessado que se produz hoje e dos programas que se escolhe usar. Os tempos do mainframe, em que se lia com atenção os livros do Knuth podem voltar. Além de ser razoável do ponto de vista da eficiência, os resultados aparecem na economia, na durabilidade do parque de máquinas e na eficiência do uso da energia.

O resultado, não importa a estratégia escolhida, é de que quem não investir na qualidade do peopleware vai jogar dinheiro fora e dar com os burros n'água. Aliás burros é mesmo adequado.

Como se sairia o Linux na Clubber ? Ano que vem terei coragem de fazer experiências com a máquina de trabalho, aí respondo para vocês.

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